terça-feira, 16 de julho de 2013

Romeo y Julieta

Romeo Y Julieta

Explícame por que razón
no me miras la cara
será que no quieres que note
que sigues enamorada
tus ojos demuestran pasión
y falsos sentimientos
por el hecho de tu rechazarme
mientras te mueres por dentro
sabes bien que no puedes olvidarme
y mucho menos engañarme

Todavía no a nacido otro hombre
que pueda enamorarte
si antes de inventarse el amor
ya yo te estaba amando
ni el amor de Romeo y Julieta
llegó a ser tan grande
te voy a ser sincero y confieso
no te miento te extraño
y a pesar que transcurrió tanto tiempo
aún guardo tu retrato.

Y a dónde irá este amor
todita la ilusión
me pregunto a cada instante
yo sé que yo fallé
pero tu orgullo y tu actitud
me impiden recuperarte
llegué a sentir amor
ocultas la pasión
y también me rechazas
conmigo no podrás
te conozco de más
tu todavía me amas
no importa que hoy te alejes de mi
me extrañaras mañana.

Hoy disfrazas lo que por mi sientes
muy dispuesta a vencer
incluso dice que me odias
y que el amor se te fue
mira mis ojos y convénceme
que ya tu no me amas
y entonces sí
no te haré más canciones
no diré más palabras.

Disimulas al decir que no me amas
que eso fue en el pasado
pero el amor no se puede olvidar
siempre queda grabado
en tu diario se conserva la historia
de dos enamorados
las novelas las poesías de amor
las viví a tu lado
recuerda cuando te hice mujer
en aquella madrugada
cuando te cantaba con mi guitarra
y luego tu me besabas
hay niña no te hagas ese daño
sabiendo que me amas

Y a dónde irá este amor
todita la ilusión
me pregunto a cada instante
yo sé que yo fallé
pero tu orgullo y tu actitud
me impiden recuperarte
niegas sentir amor
ocultas la pasión
y también me rechazas
conmigo no podrás
te conozco de mas
tu todavía me amas
no importa que te alejes de mi
me extrañaras mañana

domingo, 14 de julho de 2013

Diário de uma morena emprestada



(…) Talhada pela pigmentação da pele que ele exibia suportou, tristemente olhou-o nas origens, fitou-o por ápices, disse-lhe:
- Estás triste, pareces triste, deves de estar triste.
Respondeu-lhe:
-São teus olhos que não alcançam a luz dos meus, não te focalizes nas ocasiões da vida, foca-te na vida toda.
Pareceu-lhe afastada, sintomaticamente ausente, pensativa, demasiado cismática, explicou-lhe as coincidências com que a vida a mimoseou, pareceu-lhe desassossegada, eram as muitas situações que lhe toldavam a razão de ser lógica, parecia retirada de um filme feliniano, não sei até que ponto queria perder, não sei se dissiparia tudo, ganhar era coisa impossível, que tens a perder?
- Nada, eu não quero perder, perder é um verbo que não conjugo na minha alma, tem que ser tudo uma questão de ganhar ou perder?
- Tem, na vida que eu elegi perder é o contrário de ganhar, eu não fui cinzelado para perder, farei tudo para ganhar.
O espaço diminuía, ele não tinha a intrepidez de se aproximar dela, era tudo uma questão de ter de ser e ser infindavelmente, prometeram juras, perpetuamente gratos pelo facto de nascerem continuaram apaixonados pela vida, perduravelmente.
Os seus olhos grandes libertaram suor, sua alma abriu-se para ele, as palavras transformadas pelo jeito que lhe ficou de pequena, prolongando consoantes de forma continuadamente sexi penetraram no seu ego e fez-se luz na sua alma.
Sabia o que queria, sabia que unicamente queria saber o que queria, parecia ser eterno o sentimento, queria que o sentimento fosse eterno, e tu?
- De mim nada sei, sei que sou apenas um instrumento banal nesta orquestra de especialistas, sei que a maneira como a voz se tolda inicia algo de diferente, coisa atroz e deficientemente permanente, não tenho medo nem medos se a minha voz se calar o meu espírito falará por entre um qualquer silêncio, não tenho medos nem medo…
Fechava-se mais uma parcela de espaço, o vómito do pânico não permitiu que as palavras fossem produzidas, não faltava já mais nada, faltava tudo e tudo era nada.
Aparentemente cerrou-se mais uma janela e abriram-se as portas principais, era o tempo de jogar tudo, morrer ou viver…
Parecia-lhe que o tempo parara, que não existia mais a condição para efetuar a operação logica discursiva e mental de todas as premissas, chegaram a conclusões, disse-lhe:
- Utiliza mecanismos inteligentes para deixarmos de viver assim.
-Assim como?
- Na esperança de nunca morrer.
- Que queres que faça é a única convicção de existir, penso nela, por isso não perco nem me perco, analiso várias vezes a morte, encaro-a como um engenho integrante do meu processo cognitivo, nunca te apercebeste?
- Sim já, pareces-me estranho por vezes, quero que tudo contigo acabe em “te”.
- Sabes da minha admiração por Pessoa, leio-o algumas vezes para tentar entender os enigmas da vida, disse: “O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela.” Sendo assim, por que não nos preocupamos mais com a contagem decrescente do que com as coisas banais? Os empregos, a casa, a família, a própria vida?
Tipo: Hoje o dia no emprego foi uma merda. Em vez disso pensar: Hoje foi menos um dia na minha vida, não vou baixar os braços e lutarei por ela até ao último dia que me restar. A outra que é fufa, o outro que anda com a outra, o carro daquele, a camisa do outro. Sim e menos um dia de vida? Que me dizes?
- É uma maneira de apresentar as coisas, sabes que também penso um pouco assim mas ainda me sinto presa à infância, presa a estereótipos infelizmente conservadores, sabes bem que eu fui sempre eu, menina e mulher tudo no mesmo dia, sabes que eu fui apenas aquilo que consegui ser, fui mãe, mulher, filha e socialmente apreciada pelos que me rodeiam. Sabes que eu sou mãe, mulher, filha e mito social…
- Sim sei, interrompi, és vítima da maior prisão de todas, não seres aquilo que querias ser, vives cada dia em função daquilo que os outros querem de ti, deverias pensar mais em ti, na tua maneira de permanecer dentro dos outros sem interferires com a tua alma na caridade alheia… Deixa-me falar, eu estava a falar. Sim deixo-te falar, deixo-te sempre falar…
- Temos maneiras interessantes de ver o instante, tu olhas pela janela e vês  vento e  nuvens, eu, olhando ao mesmo tempo pela mesma janela vejo o sol e mar…Queres dizer que sou pessimista? Não, apenas que és mais frio e calculista do que eu…Pois, tens a sensibilidade própria de uma menina de 7 anos e o corpo de mulher de 35 e fazes-me viver nesta espécie de ilusão de ótica restringindo os meus desejos pessoais e vivenciando sentimentos mais nobres.
- Falava contigo toda a noite, mimava-te sem haver fim, deitava-me e dormia, dormia tudo numa só noite, dormia ate a minha alma parecer livre, mesmo não sendo, mesmo presa a tudo aquilo que se move sem se ver, à ingratidão de uns, à capacidade desta forma de chantagem emocional a que me prendo, queria acordar, depois de dormir tudo, contigo a meu lado, no teu corpo. Tenho de me ir deitar, sem ti, na minha prisão.
- Sim podes ir, vai mas pensa, nunca deixes de pensar, se não te for oportuno pensar, deixa-te levar pelos sonhos que te acalmam a noite fria que sozinha passarás, sei disso, sei que foste tudo, que és tudo e tudo é nada, que tudo contigo acaba em “te”, não tenho medo, nem medos…(…)

terça-feira, 9 de julho de 2013

A indubitável leveza da espécie



Desde a janela da sala António observa duas cachopas na casa dos 20 e tal, extraordinariamente em tronco nu, observa-as, vestiam um pano entre a saia e o calção, pareciam aquecidas pela luz do meio-dia e doiradas pelo sol de uma praia da linha qualquer.
António tinha nascido 50 anos adiantado, no seu tempo, depilação integral era coisa de malucas, lavagens frequentes coisa de gente seria.
Da janela via tudo, na janela era visto e via tudo, viu a cabra alta aproximar-se do portal em pedra polida, no qual, procurou com o traseiro, conforto para o próximo cigarro antes de penetrar no supermercado da zona, outrora meretriz das ruas do Cais do Sodré, hoje sombra desses tempos.
Na janela ele via-as, as duas cachopas a observarem os andares superiores, na esperança de um chamamento qualquer. 
Polia as pedra da calçada com os seus ténis roubados a um camone o Pedro, o filho do gajo da leitaria, o mesmo que em tempos batia na avó para lhe roubar o ouro que prontamente trocava por uma quarta no casal ventoso, o irmão do Ricardo, filho da mãe que mataram porque sabia demais, dos negócios que se faziam no café, Laurinda de seu nome, morreu transferida de táxi para táxi até São José, era gira a rapariga, gostava de mim e eu dela, Desde a janela da sala, António via-a e ela via-o a ele, de frente vivia a Fanny, era doce e bela, e bela vista da mesma janela, num ano vivia em França, no seguinte vivia mesmo em frente à janela.
 A doce Mónica amiga do Zé maricas, que se finou com dose extra de cavalo, era triste mas humildemente perfeita, paravam os poucos carros que na janela passavam olhando o corpo que transbordava na janela ao lado dela.
Lá continuavam elas em frente à janela, uma delas, a mais velha, trinta já batidos, baixava a mão até à púbis e em movimentos repetitivos de em sentido ascendente e descendente, embrulhava os olhos ao António que as via da janela, pensamentos estranhos invadiram-lhe por momentos a mente, é porca a gaiata, não se deve de lavar, no meu tempo quem se lavava não se coçava assim.
Esta janela trazia um mundo com ela e António vê nela toda a vida bela.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Eu a shambon e o vinho do porto...




A shambon é a minha cadela mais nova, indica-me sempre o rumo que devo de seguir, fez com que eu entendesse ontem que a vida se resume a comer, beber, (porcos, a cadela é virgem) e morrer descansado.
Comer porque a cachopa não pára de comer, ela é carne, ração, ossos e afins. Beber porque com o estio nada lhe faz parar a vontade de entornar galões de água fresca que, com cuidado, mantenho gota a gota.
Morrer descansado porque a vida se resume a deixar de viver, ela é perita nisso, ora se deita debaixo dos carros, ora se senta altiva nos degraus, ora relaxada, abre os quartos traseiros na esperança de ser estocada por um qualquer rafeiro alentejano.
É linda a shambon, uma rafeira que só quer deixar passar o tempo a amar incondicionalmente o dono, como eu gosto de ser amado, não fosse ela ninguém mais me compreenderia nesta amarga viagem térrea, também a amo, não me pede nada, não quer nada em troca a cada lambidela que efetua, arranca-me os pelos inoportunos da face à dentada sem me deixar respirar, beija-me sem me perguntar se eu quero e deseja-me a cada instante a que eu a deixo entregue à sua sorte.
É linda a shambon…
O vinho do porto foi só para despistar.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Sexta



Demorei uns quantos dias s descobrir a américa, a mesma que já me fez sonhar, em tempos, a mesma que me disse para ter cuidado, aquela que acabou por me dizer que acabávamos perdidos e nessa perdição, sem sabermos o porque, procurávamos a nossa outra vida, a outra margem de um rio tortuosamente inavegável.
Podemos parecer hoje apenas sombras de nós mesmos, podemos ate fazer versos, perdermo-nos em prosas mais ou menos filosóficas, sendo que, a objetividade das palavras vale o que elas só por si também valem, as palavras são apenas fundamentos para a realidade e fugas para a indiferença.
Não tenho grande veia filosófica hoje, não me apetece carpir nem tao pouco aflorar temas seriamente concretos, hoje é um dia, o dia, talvez só mais um dia, um dia a mais, um dia a menos, hoje é apenas a realidade que me invade e amanha me deixa de rastos, pronto, pronto para mais dias iguais a este e noites a esta equivalentes, hoje é apenas só mais uma fase da realidade, da verdade, da triste ficção, da inevitável caminhada rumo à viagem final…

terça-feira, 25 de junho de 2013

A metafisica hospitalar



Numa deslocação ao hospital de referência da minha área e durante longos períodos de tempo perdidos entre bichas para o papel A e impressos para o papel B, lá me fui deliciando com os que me rodeavam.
A primeira uma zuca que, do alto dos seus 100 quilos (dizia ela à outra) tinha sido erguida pelo namorado tuga, um tratador de cavalos habituado a carregar fardos de palha, dizia ainda, amor estou toda molhada está um calor insuportável e olha só como eu fico, olhei também eu, ssssssss tinha o triângulo das bermudas desenhado em suores, pensei…porra isto não faz jus às brazucas, dizem que as raparigas oriunda dessa parte da América são rapaditas, será? Esta não me pareceu.
Mesmo no meio hospitalar acabei então por fazer a minha boa ação diária, uma miúda na casa dos seus 25 anos, sem cabelo nenhum, mas gira, um pouco gordita mas engraçada, todos a olhavam com ar de: “coitada tao nova e com cancro” eu não, olhei para ela com intenções sexuais, fitei-a bem nos olhos giros que tinha, ela sorriu, eu sorri para ela, sentiu-se desejada e eu senti-me bem.
Até entrar para a consulta não mais deixou de me fitar por entre um livro que orgulhosamente envergava.
Depois, bem depois era o velhote cas unhas encravadas, a lady com os pés numa lástima, a gorda com um vestido de menina, o maluco com olhar estrábico e os cromos, um de havaianas chinesas e bermudas camufladas, outro de meia branca e calça preta, e os velhotes de camisa aberta tal não era o calor infernal que se fazia sentir, pois isto dos cortes não deixam as cachopas ligarem os ar condicionados.
Já se veem médicos/as com as marmitas a tiracolo, à pois é…